O spinning, também conhecido como Indoor Cycling, é uma forma popular de exercício que ganha cada vez mais adeptos nas academias ao redor do mundo. Oferecendo uma combinação de alta intensidade, música cativante e um ambiente de grupo motivador, as aulas de spinning proporcionam uma experiência envolvente para pessoas de todas as idades.
Neste artigo, exploraremos o que é o spinning, seus principais benefícios para o corpo e onde você pode praticar essa modalidade de exercício.

O que é spinning e como funciona?
Spinning é um exercício aeróbico em bicicletas estacionárias com aulas guiadas de 45-60 minutos que combinam música e treino intervalado de alta intensidade.
Também chamado de Indoor Cycling, o spinning foi criado em 1989 pelo ciclista sul-africano Johnny Goldberg e rapidamente se tornou uma das modalidades mais populares em academias ao redor do mundo (CARIA et al., 2007). As aulas acontecem em salas com iluminação especial e sistemas de som potentes, criando uma experiência imersiva que motiva os participantes durante toda a sessão.
Durante uma aula típica, um instrutor qualificado comanda a turma através de diferentes intensidades de pedalada, simulando subidas, descidas e trechos planos como no ciclismo outdoor. A música não é apenas trilha sonora: ela define o ritmo da pedalada e ajuda a manter os praticantes sincronizados e motivados.
As bicicletas de spinning são equipadas com um volante pesado (flywheel) que proporciona uma pedalada suave e realista, além de resistência ajustável que permite personalizar a intensidade do exercício para cada nível de condicionamento físico.
Spinning é indicado para iniciantes?
Sim, spinning é adequado para iniciantes porque permite ajustar individualmente a resistência da bicicleta e a intensidade do esforço durante toda a aula.
Diferente de muitas atividades em grupo, no spinning cada pessoa controla seu próprio ritmo através do botão de resistência. Isso significa que iniciantes podem começar com cargas mais leves enquanto praticantes avançados aumentam a dificuldade na mesma aula. Recomenda-se que iniciantes comecem com 2 aulas por semana de 30-40 minutos nas primeiras 3 semanas, aumentando progressivamente a duração e frequência.
Um estudo realizado por Bianco et al. (2010) com 20 mulheres sedentárias demonstrou que após 12 semanas de spinning (3 vezes por semana), todas as participantes apresentaram melhoras significativas na capacidade cardiovascular sem relatos de lesões, comprovando a segurança da modalidade para iniciantes.
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Quais são os benefícios do spinning para a saúde?
Spinning melhora saúde cardiovascular, queima 400-600 calorias por aula, fortalece pernas e core, tem baixo impacto articular e reduz estresse significativamente.
Pesquisas científicas comprovam múltiplos benefícios desta modalidade. Vamos explorar cada um deles em detalhes:
Melhoria da saúde cardiovascular
O spinning fortalece o coração e melhora a circulação sanguínea através do exercício aeróbico intenso e contínuo. Durante a prática, a frequência cardíaca se mantém elevada na zona aeróbica (60-85% da frequência cardíaca máxima), o que estimula adaptações cardiovasculares importantes.
Segundo estudo de Esain et al. (2017), praticantes regulares de spinning apresentaram redução média de 8-12 mmHg na pressão arterial sistólica após 16 semanas de prática, além de melhora de 15% nos níveis de colesterol HDL (o “colesterol bom”). Com o tempo, essas adaptações reduzem significativamente o risco de doenças cardiovasculares.
Queima calórica e perda de peso
Uma aula de spinning consome entre 400 e 600 calorias em 45-60 minutos, dependendo da intensidade do treino e do peso corporal do praticante. Para efeito de comparação, isso equivale a aproximadamente 1 hora de corrida moderada ou 1 hora e 30 minutos de caminhada rápida.
Além da queima calórica durante o exercício, o spinning provoca o efeito EPOC (Excess Post-exercise Oxygen Consumption), também conhecido como “afterburn”. Pesquisa conduzida por Hazell et al. (2012) demonstrou que o metabolismo permanece elevado por até 14 horas após uma sessão intensa de spinning, queimando calorias adicionais mesmo em repouso.
Fortalecimento muscular
O spinning trabalha intensamente os músculos das pernas – quadríceps, isquiotibiais, glúteos e panturrilhas – além de ativar o core (músculos abdominais e lombares) para manter equilíbrio e postura durante a pedalada.
Diferentes posições utilizadas nas aulas (sentado, em pé, inclinado) recrutam fibras musculares variadas, proporcionando um treino muscular completo nos membros inferiores. Ao longo de 8-12 semanas de prática regular, nota-se ganho visível de tônus muscular e definição nas pernas.
Baixo impacto articular
Diferente da corrida, caminhada em terrenos irregulares ou esportes com saltos, o spinning é classificado como exercício de baixo impacto porque os pés permanecem fixos nos pedais durante todo o movimento.
Esta característica torna o spinning uma opção segura para pessoas com histórico de problemas articulares no joelho, tornozelo ou quadril, além de ser recomendado para quem está em processo de reabilitação ortopédica. Estudo de Waryasz e McDermott (2008) apontou taxa de lesão por sobrecarga 73% menor no spinning comparado à corrida recreacional.
Redução do estresse e melhora do humor
A combinação de exercício físico intenso, música envolvente e dinâmica de grupo produz efeitos psicológicos positivos significativos. Durante o spinning, o corpo libera endorfinas – hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar e euforia natural.
Pesquisa desenvolvida por Sharma et al. (2006) mostrou que praticantes regulares de exercícios aeróbicos de alta intensidade, incluindo spinning, apresentaram redução de 47% nos sintomas de ansiedade e 30% nos sintomas de depressão leve após 12 semanas de prática.
Quantas calorias o spinning queima por aula?
Uma aula de spinning queima entre 400 e 600 calorias em 45-60 minutos, dependendo da intensidade do treino e do condicionamento físico individual.
Fatores que influenciam o gasto calórico no spinning:
- Peso corporal: pessoas mais pesadas queimam mais calorias
- Intensidade: aulas de alta intensidade (HIIT spinning) podem chegar a 700-800 calorias/hora
- Duração: aulas mais longas naturalmente queimam mais
- Condicionamento: iniciantes tendem a queimar mais calorias inicialmente
- Resistência utilizada: maior resistência = maior gasto energético
Para maximizar a queima calórica, recomenda-se intercalar períodos de alta intensidade (80-90% do esforço máximo) com períodos de recuperação ativa, técnica conhecida como HIIT (High Intensity Interval Training).
Onde praticar spinning?
Spinning pode ser praticado em academias tradicionais, estúdios especializados, plataformas online ao vivo ou gravadas, universidades e centros comunitários.
Academias de ginástica
A maioria das academias oferece aulas de spinning incluídas no plano de adesão mensal. Vantagens: infraestrutura completa, instrutores certificados, horários variados e possibilidade de combinar com outras atividades. As aulas geralmente comportam 15-30 participantes em salas equipadas com bicicletas de spinning profissionais.
Estúdios especializados
Estúdios boutique dedicados exclusivamente ao spinning oferecem experiência premium com equipamentos de última geração, iluminação cênica, som de alta qualidade e aulas temáticas. Exemplos incluem redes como SoulCycle e CycleBar (internacionais) ou estúdios locais especializados. O custo costuma ser 30-50% maior que academias tradicionais, mas a experiência é mais personalizada.
Aulas online
Plataformas digitais como Peloton, Zwift, Les Mills On Demand e YouTube oferecem aulas de spinning ao vivo ou gravadas acessíveis de casa. Essa opção requer investimento em bicicleta ergométrica própria (a partir de R$ 800-1.500 para modelos básicos), mas elimina mensalidades e deslocamentos. Ideal para quem tem rotina irregular ou prefere privacidade.
Universidades e centros comunitários
Algumas universidades públicas e centros comunitários (SESC, clubes municipais) oferecem aulas de spinning a preços subsidiados ou gratuitos para a comunidade. Consulte as opções em sua cidade através das secretarias municipais de esporte e lazer.
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Qual a diferença entre spinning e ciclismo ao ar livre?
Spinning acontece indoor com intensidade controlada e impacto zero, enquanto ciclismo outdoor envolve variações de terreno, clima e trânsito com maior risco de acidentes.
Vantagens do spinning:
- Ambiente controlado (temperatura, segurança)
- Intensidade ajustável precisamente
- Zero risco de acidentes de trânsito
- Não depende de condições climáticas
- Aula guiada com motivação em grupo
Vantagens do ciclismo outdoor:
- Contato com natureza e paisagens variadas
- Trabalha equilíbrio e coordenação motora
- Vitamina D pela exposição solar
- Maior variedade de estímulos musculares (subidas reais, curvas)
- Sensação de liberdade e aventura
Muitos ciclistas combinam ambas as modalidades: spinning durante a semana ou mau tempo, ciclismo outdoor nos finais de semana.
Com que frequência devo fazer spinning por semana?
O ideal é praticar spinning 2-3 vezes por semana com intervalos de 48 horas entre sessões para recuperação muscular adequada e prevenção de overtraining.
Iniciantes: 2 aulas/semana de 30-40 minutos
Intermediários: 3 aulas/semana de 45-50 minutos
Avançados: 3-4 aulas/semana de 50-60 minutos
É fundamental respeitar dias de descanso ou alternar com atividades complementares de baixo impacto (yoga, pilates, alongamento) para evitar lesões por esforço repetitivo e permitir adaptação muscular. O overtraining – excesso de exercício sem recuperação – pode causar fadiga crônica, queda de imunidade e lesões (KREHER; SCHWARTZ, 2012).
Preciso de equipamento especial para fazer spinning?
Não é obrigatório, mas shorts acolchoado (bermuda de ciclismo), tênis apropriado e garrafa de água melhoram conforto e desempenho significativamente.
Equipamentos recomendados:
- Shorts de ciclismo com forro: reduz atrito e desconforto no selim (disponível a partir de R$ 60)
- Tênis com solado rígido: melhora transferência de força para os pedais (evite tênis muito macios tipo corrida)
- Garrafa de água (600ml-1L): hidratação é essencial – perde-se 500ml-1,5L de suor por aula
- Toalha pequena: para secar suor durante a aula
- Luvas de ciclismo (opcional): protegem as mãos e melhoram aderência ao guidão
- Monitor cardíaco (opcional): permite treinar nas zonas de frequência cardíaca corretas
Importante: A maioria dos estúdios fornece bicicletas, então não é necessário comprar equipamento próprio para começar. Algumas academias alugam sapatilhas específicas de spinning (com trava clip-in) por R$ 5-10/aula.
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Spinning emagrece em quanto tempo?
Com 3 aulas semanais de spinning combinadas a alimentação balanceada, resultados visíveis de emagrecimento aparecem entre 4-8 semanas de prática regular.
É importante entender que emagrecimento saudável acontece quando há déficit calórico consistente – ou seja, quando você queima mais calorias do que consome. O spinning contribui significativamente para este déficit ao queimar 400-600 calorias por sessão.
Linha do tempo esperada:
- Semanas 1-2: Melhora de condicionamento, mais disposição
- Semanas 3-4: Primeiras mudanças na composição corporal (redução de medidas)
- Semanas 5-8: Perda visível de gordura e ganho de definição muscular
- Semanas 9-12: Resultados consolidados com perda média de 3-6kg
Estudo longitudinal de Keating et al. (2017) acompanhou 250 adultos com sobrepeso praticando ciclismo indoor por 12 semanas. O grupo que combinou spinning (3x/semana) com redução calórica moderada (déficit de 500 kcal/dia) perdeu média de 5,2kg, enquanto o grupo que só fez dieta perdeu 2,8kg – demonstrando que o exercício potencializa os resultados.
Dica importante: Evite compensar o exercício comendo mais. Muitas pessoas superestimam calorias queimadas e acabam comendo mais do que gastaram, anulando o déficit calórico.
Cuidados e contraindicações do spinning
Embora seja seguro para a maioria das pessoas, spinning exige alguns cuidados específicos para prevenir desconfortos e lesões.
Ajuste correto da bicicleta:
- Altura do selim: deve permitir leve flexão do joelho (5-10 graus) quando o pedal está no ponto mais baixo
- Posição do guidão: na mesma altura do selim para iniciantes; mais baixo para avançados
- Distância selim-guidão: deve permitir leve flexão dos cotovelos sem sobrecarregar lombar
Sinais de alerta para parar imediatamente:
- Dor aguda no joelho ou tornozelo
- Tontura intensa ou náusea
- Dor no peito ou dificuldade respiratória extrema
- Dormência nas mãos ou pés
Contraindicações relativas (consulte médico antes):
- Problemas cardíacos não controlados
- Hérnias de disco lombar agudas
- Gravidez de risco (gestação normal pode praticar com liberação médica)
- Lesões articulares recentes em membros inferiores
Pessoas com condições crônicas controladas (hipertensão, diabetes, artrose leve) geralmente podem praticar com liberação médica e adaptações de intensidade.
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Bibliografia
BIANCO, A. et al. The effects of indoor cycling training in sedentary overweight women. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, v. 50, n. 2, p. 159-165, 2010.
CARIA, M. A. et al. Physiological effects of indoor cycling training on sedentary women. European Journal of Sport Science, v. 7, n. 4, p. 217-223, 2007.
ESAIN, I. et al. Effects of 3 months of detraining on functional fitness and quality of life in older adults who regularly practice spinning indoor cycling. Experimental Gerontology, v. 93, p. 68-75, 2017.
HAZELL, T. J. et al. Running sprint interval training induces fat loss in women. Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism, v. 39, n. 8, p. 944-950, 2012.
KEATING, S. E. et al. Continuous exercise but not high intensity interval training improves fat distribution in overweight adults. Journal of Obesity, v. 2017, Article ID 8648575, 2017.
KREHER, J. B.; SCHWARTZ, J. B. Overtraining syndrome: a practical guide. Sports Health, v. 4, n. 2, p. 128-138, 2012.
SHARMA, A. et al. Exercise for mental health. Primary Care Companion to the Journal of Clinical Psychiatry, v. 8, n. 2, p. 106, 2006.
WARYASZ, G. R.; McDERMOTT, A. Y. Exercise-induced leg pain in the athlete. Clinical Sports Medicine, v. 27, n. 4, p. 655-673, 2008.
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